terça-feira, 14 de julho de 2009

CRÍTICA DE ARIANO SUASSUNA SOBRE O FORRÓ ATUAL
(Não é a toa que admiro tanto esse cara)
Tem rapariga aí? Se tem levante a mão!'. A maioria, as moças, levanta amão. Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase todas muitojovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró, utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, e todas bandas do gênero). As outras são 'gaia', 'cabaré', e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade. - O secretário de cultura Ariano Suassuna foi bastante criticado, numa aula-espetáculo, no ano passado, por ter malhado uma música da Banda Calipso, que ele achava (deve continuar achando, claro) de mau gosto. Vai daí que mostraram a ele algumas letras das bandas de 'forró', e Ariano exclamou: 'Eita que é pior do que eu pensava'. Do que ele, e muito mais gente jamais imaginou. -Pra uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá: Calcinha no chão (Caviar com Rapadura), Zé Priquito (Duquinha), Fiel à putaria (Felipão Forró Moral), Chefe do puteiro (Aviões do forró), Mulher roleira (Saia Rodada), Mulher roleira a resposta (Forró Real), Chico Rola (Bonde do Forró), Banho de língua (Solteirões do Forró), Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal), Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada), Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca), Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviõesdo forró), Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró). Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas. Porém o culpado desta 'desculhambação' não é culpa exatamente dasbandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de 'forró', parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shorts começavam muito tarde. Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor doCentro de Estudos alternativos de Belgrado, Milan Nikolic, afirmou em 2003 que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estético. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo. Aqui o que se autodenomina 'forró estilizado' continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste, sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular em plena praça pública de uma grande cidade com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem 'rapariga na platéia', alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é 'É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!', alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vaitomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.
Ariano Suassuna.

Tá dito. E eu assino embaixo!

13 comentários:

Eduard disse...

E eu assino embaixo do teu nome Bells...

Amo quando vc escreve. Vc sabe...

Andarilho disse...

É, realmente deprimente.

E vale expandir essa crítica e generalizá-la para todos os gêneros musicais. Hoje em dia o que vende é imagem.

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Josy,

Sou cearense e não gosto quando o forró é pé rapado. Existem bandas conceituadas e que sabem fazer um belo xote. O problema de gente assim, é que tem público pra bater palma... bem assim.

Triste!

Gosto das músicas do Waldonys, Flávio José, Chico Pessoa... ah, tem muito forrozeiro bom!

Beijo grande, menina linda.

Rebeca

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~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

O Néctar da Flor oferece um selo DIGA NÃO AO PLÁGIO! Somos originas, porque somos únicos. Cada ser um humano tem uma emoção individual. Por mais que as palavras e os pensamentos sejam parecidos, não temos o direito de pegar algo de alguém e dizer que é nosso. Não podemos trocar palavras e rasurar o sentir do próximo. Encontramos inspiração em alguém, na natureza, na vida, mas não temos o direito de copiar sentimentos. Inspiração é uma coisa, xerocar palavras alheias é outra.



Beijos jogados no ar, sempre!



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Elcio Tuiribepi disse...

Eu endosso, carimbo, coloco selo e ainda digo mais, existe mesmo uma máfia por tras disso que é a mídia e que realmente fatura horrores as custas de quem se deixa levar...
As letras são horríveis, de péssimo gosto e as melodias repetitivas por demais. Mas, vende igual água...assim como o Funk, não quero generalizar, mas a maioria é mesmo assim.
Muita coisa está mesmo fora de ordem...o pior é que os filhos dessa juventude irão sofrer estas mesmas inluencias, piorando ainda mais a situação...eita...não é mole não...rsrs
Um abraço na alma...boa quarta para você...

O Profeta disse...

Ao meu querer!
Dias noites, estações esquecidas
Inventei sonhos para sonhar
Lavei mágoas, dores perdidas

Uma árvore toca as águas da lagoa
O nevoeiro faz desenhos nas cumeeiras
Um Melro negro solta um pio ao acaso
A palavra quero-te diz-se de mil maneiras


Convido-te a ver a Cor da Claridade


Doce beijo

Judith disse...

E aqui também tem minha assinatura.
Ariano Suassuna é de se aplaudir de pé. Sempre.
Ótimo post, Josy.
Beijão e bom fim de semana!

Mensageiro disse...

O triste é saber que o conserto disso tudo pode ser só um....


Que muitas vezes, rezo pra não acontecer


Amém

Germano Xavier disse...

Onde é que eu assino, Josy?

Traz o papel e me diz.

Carinho sincero.
Continuemos...

Judith disse...

im deixar um beijo e desejar ótima semana, linda Josy!

:)

Ric Dexter disse...

E olhe que o Ariano é um sujeito bem popular, chegado às coisas simples do povo. Se ele tá fazendo essa crítica, é porque o negócio é precário mesmo!
Adorei o artigo.

Beijos!

Stive Ferreira disse...

Olá,
Gostei do post e concordo com a crítica de Suassuna (aliás com todas as críticas dele), mas como amante do autêntico forró, (sabe, aquele que toca-se com triângulo, zabumba e sanfona?) sou da opinião que alguém deveria ter dito ao grande Suassuna que Calipso e todas essas pseudo-bandas de "forró eletrônico" NÃO SÃO FORRÓ, apenas se apropiaram indevidamente do nome de um ritmo já há muito consagrado.

É isso...

Fabio Espírito Santo disse...

É Josy, de fato você está no curso e na área errada! Que texto!!! Perfeito.