terça-feira, 8 de setembro de 2009


A vida através da varanda é como um filme futurista, eu dizia enquanto balançavamos os pés fora da janela, imersa na sensação de brisa e vazio. Havia uma garrafa de vinho e o vento parecia agradável lá embaixo, as folhas das palmeiras balançavam como um redemoinho no centro do gramado, enquanto as mais esgueiradas se recostavam na parede, fazendo do espetáculo harmônico algo triste e... belo. Minha mãe me acha estranha por ver beleza em coisas banais. Eu acho estranho as pessoas terem se tornado um bando de andróides. Veja como somos estranhos, eu insistia em falar... parece que vivemos em outro mundo... Tinha uma música de fundo, talvez fosse mesmo Stairway to heaven. Lá embaixo as pessoas passavam com suas sacolas e cachorros, a imensa ponte as levavam em seus caminhos infinitos. Por um momento tentei imaginar o que se passava no pensamento de cada uma delas, mas pessoas parecem meros personargens enquanto se deixam imaginar em nossa embriaguês não-alcóolica. Lembro que quando eu tinha oito anos já não queria mais ganhar bonecos no dia das crianças. Achava infantil imaginar a vida como uma brincadeira perfeita. E eu esperava que o mundo fosse se tornar outra coisa, apesar das previsões da ciência... No fundo eu tenho essa grande frustração, por não ter impedido isso, por ter deixado que chegassemos a esse ponto. Lembro do senhor barbudo que espancaram no ônibus uma vez por causa da passagem... de como as pessoas se tornam pequenas deveras vezes. Esse mundo está estragado mamãe, - eu dizia ao chegar em casa- as coisas não tem mais sentimento. Mas tem. No fundo eu ainda acredito no sentimento, embora agora com bem mais receio que antes. Acredito nas conversas filosóficas que jogamos fora enquanto fluem os acordes do violão, no bem que fazem as caminhadas da faculdade até a orla, nas pessoas que querem mudar o mundo, no amor, na paz, na bondade e até na ideoloia dos mercenários frustrados. Afinal, há uma fumaça de um navio distante no horizonte...

" The child is grown, the dream is gone... And I have become Comfortably numb."

(Comfortably Numb - Pink Floyd)

7 comentários:

Gutor disse...

Perfect!
Eu acredito que o mundo ainda tem jeito, pois algumas pessoas como nós ainda se atrevem a ter bons sentimentos...

Um hug of bear!
kkkk

Alleson Sullivan Cobain disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alleson Sullivan disse...

é interassante oq vc escreveu, porque trata de muitas coisas que a filosofia trata como respostas praticamente impossiveis.
Acreditar ou nao nos sentimentos dos outros? a unica certeza sobre sentimentos é que posso ter certeza dos meus sentimentos, nao tem como eu saber oque vc esta pensando, nao tem como eu saber se o sabor do chocolate causa o mesmo efeito refrescante em mim e em vc, concerteza sao bem parecidos, mas nao tenho certeza que é realmente o mesmo sabor...
e esta teoria deixa-me meio sem saber, se o que eu estou escrevendo tem algum sentido ou nao.
mas ha algo que nós temos que concordar, as caminhadas para a orla, as conversas filosoficas os acordes tocados, paz, amor e uma garrafa de vinho que vc esqueceu de citar. mesmo que naum seja a mesma sensação em todos. causam as mesmas emoçoes, ALEGRIA DE ESTAR COM AS PESSOAS QUE VC AMA.

Felipe Santos disse...

"No fundo eu ainda acredito no sentimento, embora agora com bem mais receio que antes"

Ainda acredito, na mesma intensidade que antes.

As mesmas emoções e sensações diversas. O vinho que nos deixa alegre... isso me desperta da lucidez;




BELO TEXTO!

Lily Quel disse...

Não creio que você acredite nos sentimentos com mais receio que antes...alguém que acredita na bondade das pessoas como você acredita, que não consegue dizer um não, que se emociona com as dificuldades alheias...enfim, acho que você ainda acredita nos sentimentos com a inocência de uma criança!!!

Andarilho disse...

Esses dias eu vi um tatu-bola, que não via há vários anos. Ali, no meio da cidade, no último lugar em que eu esperaria encontrar um tatu-bola.

As pessoas que estão tornando o mundo melhor são como esse tatu-bola. Estão ali, o tempo todo. Nós que não percebemos.

Sanzinha disse...

Também eu acredito nos sentimentos. Então não estamos sozinhas! :)

Volteeeeeeeiiiiiiiiiii!
Saudades de vc, querida!
Está tudo bem?

Não deixe de dar notícias, moça.

Beijocas estaladas!