Há uma névoa branca no céu de fim de inverno enquanto caminho a passos despreocupados. O céu, a tabebuia, o vento, tudo remete a um equilíbrio aparente e ilusório, que faz o mundo parecer reverso, quando na verdade é tudo meio genérico. Há uma parte de mim que vê tudo corrompido, mas a maior parte ainda vê plácido e bonito. Nem sei se isso é bom ou ruim. Maldita utopia. Há uma menina com uma flor atrás da orelha, parece ter saído de uma fotografia antiga. Gosto de margariadas, do contraste da luz amarelada no branco límpido. Há um rapaz e seu cachorro, uma senhora e sua sacola de flores. Penso que o Ed tem mesmo razão, "às vezes as pessoas são bonitas. Não pela aparência física. Nem pelo que dizem. Só pelo que são." E percebo que felicidade não é um estado permanente, mas volta e meia nos acomete. Não sei porque, mas me vem a cabeça uma música dos Cranberries que estava ouvindo ontem, "feche seus olhos, respire o ar lá fora, nós somos livres..." parece tão substancial, mesmo que não seja verdade.
*trecho retirado do livro "Eu sou o mensageiro" de Markus Zusak.
