quarta-feira, 23 de setembro de 2009

o bom da vida é ser besta;


hey Jude, don't make it bad...

Eu hoje despertei atenta.
O calor do quarto nem o barulho dos mosquitos me incomodaram. Havia um céu muito azul e um aroma agradável de grama cortada enquanto o jardineiro passeava lá embaixo. Então isto é a primavera, pensei, essa mistura louca de liberdade e obscuro, de vontade e razão...
Minha mãe deixou um bilhete na geladeira reclamando da hora e do cheiro do capuccino que nem lembro o gosto... "Que o tempo vai cuidando das horas e as horas vão matando o tempo, dizia o Chico Science, isso me lembra do medo infeliz que os pais tem de que os filhos inevitavelmente cresçam.
Quando eu era teenager, tudo que eu queria era me tornar jornalista e sair pelo mundo, ajudar na guerra, na África... isso sempre a deixou puta da vida, o que me provoca risos hoje é perceber que ainda conservo muito disso em mim, mesmo tendo descoberto minhas verdadeiras aptidões, bem distantes do jornalismo. No fundo o que a gente quer mesmo é só ver as coisas se iluminando um pouco... quando se descobre que contribuir não é ser super-homem, mas dar o melhor de nós... E nem sei porque estou dizendo isso, mas me veio o pensamento agora de que escrever me passa a sensação de alforria. Talvez por isso essa falta de inspiração me incomode tanto, porque faz falta o mundo imaginário onde moldo as coisas na minha ideologia furada, embora eu saiba que não é nada disso, que eu na verdade vejo as coisas assim e isso não é o mundo do meu blog como me disseram uma vez, é o meu jeito de ver as coisas, de uma forma meio besta, mas eu gosto de ver assim. Sem espectativas a cerca do caminho, já que como dizia ele, ninguém sabe onde tudo vai dar...

PS: For the galley of the of peace, love and empathy, forgive my lack of inspiration... Sorry.

"Oh, let the sun beat down upon my face, stars to fill my dreamI am a traveler of both time and space, to be where I have beenTo sit with elders of the gentle race, this world has seldom seenThey talk of days for which they sit and wait and all will be revealed..."
[Kashmir - Led Zeppelin]

terça-feira, 8 de setembro de 2009


A vida através da varanda é como um filme futurista, eu dizia enquanto balançavamos os pés fora da janela, imersa na sensação de brisa e vazio. Havia uma garrafa de vinho e o vento parecia agradável lá embaixo, as folhas das palmeiras balançavam como um redemoinho no centro do gramado, enquanto as mais esgueiradas se recostavam na parede, fazendo do espetáculo harmônico algo triste e... belo. Minha mãe me acha estranha por ver beleza em coisas banais. Eu acho estranho as pessoas terem se tornado um bando de andróides. Veja como somos estranhos, eu insistia em falar... parece que vivemos em outro mundo... Tinha uma música de fundo, talvez fosse mesmo Stairway to heaven. Lá embaixo as pessoas passavam com suas sacolas e cachorros, a imensa ponte as levavam em seus caminhos infinitos. Por um momento tentei imaginar o que se passava no pensamento de cada uma delas, mas pessoas parecem meros personargens enquanto se deixam imaginar em nossa embriaguês não-alcóolica. Lembro que quando eu tinha oito anos já não queria mais ganhar bonecos no dia das crianças. Achava infantil imaginar a vida como uma brincadeira perfeita. E eu esperava que o mundo fosse se tornar outra coisa, apesar das previsões da ciência... No fundo eu tenho essa grande frustração, por não ter impedido isso, por ter deixado que chegassemos a esse ponto. Lembro do senhor barbudo que espancaram no ônibus uma vez por causa da passagem... de como as pessoas se tornam pequenas deveras vezes. Esse mundo está estragado mamãe, - eu dizia ao chegar em casa- as coisas não tem mais sentimento. Mas tem. No fundo eu ainda acredito no sentimento, embora agora com bem mais receio que antes. Acredito nas conversas filosóficas que jogamos fora enquanto fluem os acordes do violão, no bem que fazem as caminhadas da faculdade até a orla, nas pessoas que querem mudar o mundo, no amor, na paz, na bondade e até na ideoloia dos mercenários frustrados. Afinal, há uma fumaça de um navio distante no horizonte...

" The child is grown, the dream is gone... And I have become Comfortably numb."

(Comfortably Numb - Pink Floyd)