terça-feira, 26 de maio de 2009

Tempos modernos... Oh Ford!

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"Se as pessoas são boas só por temerem o castigo e almejarem uma recompensa, então realmente somos um grupo muito desprezível." [ Albert Einstein ]

Créditos da imagem: Jotapê (http://blogs.abril.com.br/jotape/)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Jude [4]

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Piloto na av. Getúlio Vargas. Florisbela se comporta bem, mesmo com a chuva de ontem a noite. O dia está quente e úmido, o sol forte em contato com a minha pele branca provoca um efeito estranho. Penso na harmonia... estranho o transito turvo e barulhendo não perturbar meu humor.
Entro na tradicional escola de lingua inglesa, dou minhas aulas como de costume. Interessante como me sinto bem ali, um pouco útil talvez. Na volta quando passo em frente ao prédio da prefeitura têm alguns estudantes fazendo protesto. Paro e fico observando de longe, daria uma bela foto se eu não tivesse esquecido a câmera em casa. Consigo identificar uma colega da universidade. Bina, a revolucionária, com um lado da face coberto por uma tinta branca, destribuindo panfletos e sorrisos no meio de toda aquela multidão. Penso em mim em outros momentos, destribuindo os mesmo panfletos, eu que já não tenho tempo para essas coisas, ou talvez não ache mais que elas funcionem. Me sinto vazia olhando todas aquelas pessoas se dispondo a consertar as coisas, mesmo que do seu jeito torto. Eu que me dispusera a consertar o mundo, a molda-lo, e no entanto estava ali, sentindo o sol como um abraço... Mais tarde eu lembraria daquilo. E da moça da face branca.
Marvin comprou um piano, e me levou para escolher. Ele acha que eu tenho mais 'noção' dessas coisas. Eu que só tive um violão Giannini 1990 e agora minha Les Paul. A vendedora mostrou todos os modelos. Uns com botões, tipo videogame e eu nem sabia que até os pianos já tinham botões. Efeitos da tecnologia, pensei.
- Ah, Maria louca, não entendo você, ora cientista, pesquisando naqueles laboratórios da universidade, discipula de Albert Einstein, do evolucionismo de Darwin, ora reclamando da modernidade, como uma caretona.
- Só acho que pianos não combinam com botões. Qual é Marvin, daqui a pouco vão querer por botões em nós. Estamos sendo adestrados...
A noite quando chego da universidade visto um short que um dia já foi calça e uma camiseta velha do Pink floyd que marvin me deu há alguns anos junto com o ultimo livro do Dan Brown. Caramba, me dei conta de quanto eu curto os livros daquele cara. Marvin também gosta. Ele diz que eu sou a única pessoa do mundo que consegue admirar Shakespeare e Dan Brown ao mesmo tempo. Sento na varanda e respondo alguns e-mails. Enfim consegui o livro que procurava há meses. Judas, o obscuro, de Thomas Henri, o preferido do pai da Ana. Um amigo me mandou o pdf e por enquanto é só isso que posso ter. Quem sabe um dia não cruzo com um exemplar em um sebo qulquer e compro. Ainda não começei a ler mas acho que amarei. Não tenho muito saco para internet por isso logo largo de mão. Continua quente. Como um vapor invadindo a cidade. Queria brisa, mar, areia. Ou pelo menos dormir de janela aberta. Esse mundo mutável e instável me assusta. Sinto vontade de ver as coisas como antes, claro que estou falando da harmonia das coisas. A chuva, o calor, no seu calendário... A floresta em seu lugar. Mas além de sermos estúpidos ocupamos muito espaço. Sinto saudades de Veríssimo, de Pessoa, dos clássicos. Acho que estou ficando paranóica.
Marvin chega mais tarde e se junta a mim. Trás uma coca-cola. Ainda me sinto vazia.
-Vai uma partida de chess ai?
-Claro Marvin.
No céu quase não ha estrelas. Na rua as ultimas pessoas caminham com seus passoas errantes. Um homem se mexe na calçada abaixo na minha janela, o cheiro de embriaguês chega até nós. Lembro da opinião do professor de fisiologia mais cedo sobre as pessoas que apenas sobrecarregam o sistema. Sinto uma coisa estranha. Deve ser raiva. Ele devia ser proibido de dar aulas. Acordo com a voz alterada do Marvin.
- Check mat Jude. Você está ai?
- Jude. As vezes me esqueço que esse é meu nome.
- Pois é Maria louca, em qual dos seus mundos você estava agora?
- Tava pensando no menino das Hawaianas quebradas.
- E um dia você vai me contar que raio de menino é esse?
- Um dia Marv...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Crazy Mary - Favorite tree


- Hey Crazy Mary, desce daí e vamos chupar 'pitomba' - gritava o Marvin sempre que eu subia na lage para 'fugir' do mundo. Lá em cima eramos só eu, os pássaros que apareciam uma vez ou outra, e o céu, ora azul ora cinza, parecendo sempre combinar com meu estado de espírito. - Mas Crazy Mary, pensar tanto não pode fazer bem - ele dizia me deixando puta. Ele passou a me chamar assim por causa da música, e eu até que gostava. O que eu não gostava era o fato de sempre conseguir me tirar dali com suas artimanhas particulares e sujas que nunca perdia chance de usar.
- E se eu por ventura eu ... consertasse a Florisbela?
- Sério?
- Se por acaso você fizesse 'milkshake' de chocolate com menta na volta e me emprestasse esse livro ai...
- Justo o que eu estou lendo Marvin, isso é golpe baixo...
- Você poderia reler 'o morro dos ventos uivantes' Srt. Swan.
- Fechado, seu babaca. - Eu dizia quase pulando lá de cima.
O pé de pitomba enfeita o quintal desde quando eu tinha 6 anos, lia Monteiro Lobato e sonhava com um pé de 'jabuticaba'. Um dia eu cheguei da escola e papai estava cavando todo sujo de barro. Então a pitombeira se tornou minha 'árvore' favorita.
- Marvin, porque a gente sempre quer as jabuticabas, mesmo tendo pitombas?
- Talvez elas não sejam tão boas, - ele dizia me abraçando, porque essa não era o tipo de pergunta que se responde com palavras. Nossos nomes estão gravados lá desdes os 12 anos quando ele tinha aquelas crises e ecordava gritando no meio da noite. Deus sabe o quanto salvou a minha vida quando ele veio aqui para casa. Uma coisa que eu nunca vou entender é essa 'solidão' que as vezes paira sobre a gente mesmo com tanta gente redor. Esses dias são justamente os que eu subo na lage ou na pitombeira. Ai vem o Marvin e me faz descer. E mesmo quando isso não acontece ele fica lá em baixo sentado, jogando pedras e cantanto 'Jimi Hendrix' dois tons acima.
Hoje eu quase não tenho tempo para isso. O 'inglês' e as universidades me consomem dias e noites. E eu amo tudo isso, mas as vezes sinto falta da infância e da parte de 'mim' que ficou para trás. Outras vezes, quando o Marvin em um de seus ataques de gracinhas troca meus cds de listening e pronunciation por Bon Jovi 1972 eu penso que essa infância ainda não acabou.
Agora mesmo, o Marvin foi fazer um trabalho e os velhos estão dormindo, assim como a maioria das pessoas que vão cedo para o trabalho. E uma grande massa se diverte nas longas noites das capitais. Se eu morasse perto do 'mar' provavelmente estaria caminhando descalça na areia, olhando as ondas se formando e desfazendo nos imensos paredões de pedra. São 22:57 do domingo, estou aqui em cima da lage olhando as estrelas. Aquela bem grande que dizem ser um planeta. Os chuviscos de antes deixaram o bilho 'ofusco'. Mas isso não diminuiu sua beleza. Sou fascinada nessas coisas,quero ter um 'telescópio' bem grande na minha janela. Custa caro. Meu pai acha uma loucura. Marvin diz que meus olhos por si só já são telescópios, mesmo quando ando envolta em meus pensamentos e passe sem perceber as pessoas e coisas. Uma brisa fria sopra meu cabelo. A lua lá em cima brilha escondendo suas 'crateras', assim como nós tentamos esconder as nossas. Fico observando as pessoas lá embaixo em seus passos lentos. Penso no menino das hawaianas quebradas. Ainda me deixa triste.
Mas mesmo que eu não saiba se estou no caminho certo, amanhã é segunda e por uma semana inteira não terei tempo para nostaugias. Antes de descer para o quarto cai uma chuva, primeiro 'fininha', depois enfurecida. Durmo pensando na chuva, caindo sobre nossas vidas.

Words are flowing out like endless rain into a paper cup,
They slither while they pass, they slip away across the universe.
Pools of sorrow, waves of joy,
Are drifting through my open mind,
Possessing and caressing me.
[Across the universe - Pear Jam]