
Quando as chuvas de outono começaram as ruas não eram mais as mesmas. Todos assistiam TV e liam em suas lareiras, ao invés de passear com seus cachorrinhos. Os carros faziam filas na porta dos colégios para buscar as crianças e pessoas só eram vistas indo e voltando do trabalho, com seus guarda-chuvas enormes. As senhoras não fofocavam na calçada á noite, os casais não comiam pipoca, sentados no banco das praças, e até os pontos de ônibus eram mais vazios.
A menina achava que a chuva trazia muita solidão. Nas aulas, cafés e lanchonetes, ela estava presente em tudo, trazendo lembranças do tempo em que tomar banho de chuva era saudável, e sorvete no frio, e dormir sem esse despertador mental que impões seus limites a tudo. Nessa altura de sua vida, não acordava mais com o cheiro maravilhoso do chá de hortelã. Tinha uma lista de tarefas para cumprir, e uma imensidão de coisas a se preocupar. O mundo tava estranho. Talvez fosse por isso que as pessoas criassem os seus próprios e se trancassem dentro deles.
Ela não. Frequentemente era vista embaixo de arvores já quase sem folhas, nos bancos da orla, assistindo a um pôr do sol muitas vezes invisível por trás do temporal. Olhando as gotas de chuva que caíam no rio, imaginando que histórias carregavam. Ela e seu guarda chuva vermelho, sabiam que mesmo com toda tempestade o sol não deixaria de existir. E ela tampouco poderia deixar de viver.
“E se, de repente sentirmos que vamos morrer e nos perguntarmos: Que rastro deixaremos da nossa passagem por este canil? A resposta honesta seria: Nenhum. Não fizemos nada, além de falar pelos outros. O que significa, então, ter traduzido milhões de palavras se não nos lembramos de nenhuma, porque nenhuma merecia ser lembrada?”
As travessuras da menina má)
A menina achava que a chuva trazia muita solidão. Nas aulas, cafés e lanchonetes, ela estava presente em tudo, trazendo lembranças do tempo em que tomar banho de chuva era saudável, e sorvete no frio, e dormir sem esse despertador mental que impões seus limites a tudo. Nessa altura de sua vida, não acordava mais com o cheiro maravilhoso do chá de hortelã. Tinha uma lista de tarefas para cumprir, e uma imensidão de coisas a se preocupar. O mundo tava estranho. Talvez fosse por isso que as pessoas criassem os seus próprios e se trancassem dentro deles.
Ela não. Frequentemente era vista embaixo de arvores já quase sem folhas, nos bancos da orla, assistindo a um pôr do sol muitas vezes invisível por trás do temporal. Olhando as gotas de chuva que caíam no rio, imaginando que histórias carregavam. Ela e seu guarda chuva vermelho, sabiam que mesmo com toda tempestade o sol não deixaria de existir. E ela tampouco poderia deixar de viver.
“E se, de repente sentirmos que vamos morrer e nos perguntarmos: Que rastro deixaremos da nossa passagem por este canil? A resposta honesta seria: Nenhum. Não fizemos nada, além de falar pelos outros. O que significa, então, ter traduzido milhões de palavras se não nos lembramos de nenhuma, porque nenhuma merecia ser lembrada?”
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